Eu ponto com, making of.
- by Jo Santana

Já fiz sites pessoais e para empresas, produtos, profissionais, bandas, equipes esportivas, enfim, pra tudo. Menos pra mim. Incrível, não? Sou mais uma prova viva de que “designer que faz site, não tem site”. Pra você ter uma idéia, eu já havia comprado meu domínio há mais de dois anos, e até agora necas de site. Vamos imaginar um mundo onde eu não saiba o que é Photoshop, e que minha praia seja fazer doces. Já criei chocolates para a Häggen-Dasz, Kopenhagen, Nestlé e as mais finas chocolatarias do mundo. Agora imagine se eu nunca tivesse provado meu chocolate. Nem uma lasquinha. Willy Wonka ficaria revoltado comigo!
Pois bem, finalmente resolvi provar um de meus chocolates. Há seis meses iniciei o projeto “meu site” e comecei a reunir idéias, buscar referências, destruir folhas de papel, etc. Uma coisa que eu tinha como certo é que eu queria voltar às origens. Quando eu era criança, desenhava muito. Até hoje guardo uma pasta minha, cheio deles. Queria muitos desenhos, tudo feito à mão, bem artesanal. Mas como apresentar meu trabalho com esses desenhos, de uma maneira legal? Confesso que a idéia final não foi a primeira. Outras atravessaram meu caminho. Uma das idéias era a de transformar o browser num quadro branco virtual, e este quase foi o caminho escolhido. Também pensei em tatuagens, talvez influenciado por Prison Break. Mas tudo mudou certo dia, quando vi um funcionário da empresa onde trabalho chegar com o braço engessado. Nesse momento pensei: “O que eu faria se quebrasse meu braço?”. Flash! Imediatamente me lembrei dos tempos de criança, onde pichava os gessos dos meus coleguinhas de escola. Lá estava o lugar ideal para colocar meus desenhos.
Mas ter a idéia é só o começo. Uma das coisas que faz ser difícil de se desenvolver um trabalho pessoal é que, voltando à analogia, se estou comendo o chocolate, o que vou vender? É preciso dizer não ao trabalho e conseqüentemente ao dinheiro. Isso não é nada fácil. Outra coisa é que você acaba perdendo todo seu tempo livre e a canseira se torna quase insuportável. Foram semanas e semanas sem descanso, sem fins de semana, sem feriados e sem dormir por algumas noites, conciliando o trabalho formal e o informal. Só pra citar alguns dos problemas.

Pra quem gosta de números, ao todo fiz 440 desenhos, em 177 folhas de papel, gastando duas canetas Softpoint e alguns lápis. O cenário que serviu de base para o menu do site - e que você pode ver acima - tinha 1,27 metro de largura e 59 centímetros de altura. Todos os desenhos foram escaneados e vetorizados. Em seguida, cada personagem foi animado, separadamente. O gesso de mentirinha (Veja
) foi criado com um molde de borracha, gaze e cola. Com ele fiz 31 fotografias, que geraram a animação stop motion de (adivinha!) 31 frames. Não posso me esquecer da programação do site, que possui uma integração fenomenal com o Flickr. As atualizações que eu faço lá criam atualizações aqui. Até os comentários dão as caras. Terei pouquíssimo trabalho pra mantê-lo atualizado, e quem é designer sabe o quanto isso é importante. Além disso, meu blog recebeu cara nova pra acompanhar esse lançamento. A idéia do blog é ter um contato maior com os visitantes, onde posso trocar idéias, pensamentos e opiniões.E com tudo pronto, preciso deixar aqui os meus agradecimentos. Quero mandar um jóia ao meu bom Deus, por ter me criado e dado vida, talento e saúde. Um salve pro Vinícius “Mangaio”, que cedeu a música “Samba na Fonte” que está no meu showreel. O cara tem um trabalho muito bacana, e você pode conferir mais no “hisSpace“. Um thanks à minha amiga e jornalista Janaína Rubim, que revisou o textos destes meus 6 anos de trabalho, espalhados por todo o site. Obrigado também ao suporte eterno da minha família, além de um agradecimento especial à minha namorada, que não me deu uma bota nesse tempo em que ela teve que me dividir com minha “amante” - apelido que ela deu ao meu Mac. O resultado você já pode conferir no site eu.com, ou melhor, josantana.com. Sei que ele pode receber críticas negativas, mas asseguro ser um trabalho que tem sangue, alma e é verdadeiro. Finalmente pude experimentar o meu chocolate. E lhe convido para degustá-lo comigo: Bon appétit!













