Galinha baiana.
- by Jo Santana

“Onde vamos jantar?”. Essa é uma pergunta que pode ser respondida facilmente em qualquer cidade normal, e por isso mesmo, não em uma como São Paulo. As opções são tantas que fica difícil escolher. São mais de dez mil restaurantes com cinquenta e dois tipos de culinária. Italiana, espanhola, mexicana, árabe, regional, o que você quiser, encontra aqui. Pra facilitar, meu avô me dá três opções: o conhecido restaurante italiano para saborearmos uma massa tomando uma bela taça de vinho - como já fizemos outrora; a boa padaria que acaba de abrir no bairro; ou o inusitado Galinhada do Bahia. A recomendação do velho me atiça, e como adoro experimentar coisas novas, opto por tentarmos a tal galinhada. Saio de carro com meu vô, para um dos poucos jantares que pudemos aproveitar juntos até hoje. Acompanhamos o rio tietê, cruzamos a marginal e atravessamos algumas quebradas para em pouco tempo, chegar.O restaurante fica em um beco de rua de terra, dividindo espaço com a casa de alguns moradores e “concorrentes”, que aproveitando a fama do Bahia, tranformaram suas casas em botecos e restaurantes. O som alto deixa evidente que aqui quem manda é o forró. “Passa o serrote, reco reco reco rote rote”. Me sinto no agreste. Mesmo não sendo meu ritmo predileto, me divirto com a letra da música. O restaurante é rústico, com suas telhas de amianto, mesas com toalhas de plástico e com uma grande árvore ao centro dividindo o ambiente - e que parece estar lá só para deixar o lugar ainda mais estiloso. A parede azul, lotada de porta-retratos do Bahia posando ao lado de celebridades como Hebe, Ana Maria Braga, o jornalista global Ernesto Paglia, Frank Aguiar e até com o ex-governador Geraldo Alkimin, divide o espaço com recortes de reportagens da VIP, Folha de São Paulo, e até do jornalzinho do bairro. Tudo exibido com muito orgulho. Não é fraco não.
Meu avô comprimenta o ex-vaqueiro Raimundo Souza Soares - o Bahia - como se fossem velhos amigos. Cliente antigo você já sabe. O cardápio nos presenteia com vários pratos típicos do nordeste, como buchada, maxixe, quiabo, camarão na moranga, jerimum com carne seca, entre outros, além do prato da casa, que é o que pedimos. A conversa mal inicia na mesa e o prato chega. Ou seria melhor dizer, “os” pratos? A mesa é coberta por pratos de baião-de-dois, arroz, feijão tropeiro, pirão, legumes cozidos, banana-da-terra e da tradicional galinha de cabidela. Ufa! E vamos deixar claro que você não vai comer frango aqui. É galinha mesmo, “importada” da Bahia de fornecedores de confiança do Bahia. O gosto é bem diferente, forte e bem temperado. Uma curiosidade é que também são servidos ovinhos tirados de dentro da galinha, antes de completarem sua formação. Pode parecer esquisito, mas o sabor é uma delícia.
Se você gosta de comida nordestina e não se importa em visitar um lugar mais simples, diferente do que você deve frequentar todos os dias, o Galinhada do Bahia é, literalmente, um prato cheio. E vou te dizer: vá com fome, porque se não vai sobrar comida. Aliás, muita comida. Vale a pena pagar pela comida, que é servida em forma de rodízio, ou seja, você pode repetir sem custo adicional. O Galinhada do Bahia é sem sombra de dúvidas, uma das delícias de São Paulo.
Para provar, vá até a rua Azurita, 46, próximo ao estádio do Canindé (Lusa, ora pois). Funciona de segunda a sexta das 11h30 às 16h, e sábados, domingos e feriados até as 18h. Aos domingos, show ao vivo de forró. Telefone: 11 3315-8614 e 11 9736-0372. Para mais informações, acesse www.galinhadadobahia.com.br.













